Atrás da linha submersa da noite
- onde o infinito velado no mar
abraça o infinito inexaurível do céu -
abriga-se algo restrito
em sonho ou pensamento disperso
nas lembranças que se mantém esquecidas.
Superfície além de qualquer toque,
imensidão que não se contém.
Talvez algo em mim vague
em meio a estas sombras incautas,
num tempo e espaço guardados
longe de tudo que pretendo agora ser.
Algo que se deixa preencher
silente em seu próprio vazio,
que se cobre no som da eternidade
imerso nas sincopadas vagas
e se desprende
na profundidade efêmera da espuma.
Clarice Shaw
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